Drogas na mídia

Prefeitura recolhe 67 usuários de drogas na zona norte do Rio

Assistentes sociais, psicólogos e técnicos de enfermagem ligados a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio participaram de uma operação na manhã desta quarta-feira para recolher moradores de rua e usuários de crack na região do Parque União, na entrada da Ilha do Governador, na zona norte.

A operação começou por volta das 7h com a participação de 19 profissionais e resultou no acolhimento de 67 pessoas, sendo que cinco deles são adolescentes. Todos passarão por identificação e depois serão encaminhados para abrigos.

A operação acontece devido a migração de usuários de drogas para o local após a ocupação das comunidades do Jacarezinho e da Complexo de Manguinhos, no último final de semana. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, outros pontos da cidade já foram mapeados e são apontados como destino de usuários.

Um dia após a ocupação de Jacarezinho e Manguinhos muitos usuários de crack foram também para frente do Departamento Náutico do São Cristóvão Futebol e Regatas, em Ramos, bairro vizinho, também no subúrbio. Em meio a montes de lixo, os usuários improvisam acampamentos no local.

Outros grupos de usuários da droga se espalham nas entradas de comunidades próximas como Nova Holanda. Alguns se escondem atrás de tapumes de obras da Transcarioca (corredor expresso de ônibus) na avenida Brasil.

FOLHA DE SP online | 17/10/2012 - 15h09

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1170588-prefeitura-recolhe-67-usuario-de-drogas-na-zona-norte-do-rio.shtml

Reflexões sobre a notícia

A notícia em destaque mostra uma tentativa de enfrentar com repressão e força, um problema que não é policial e, sim, social e de saúde publica. Este modelo de atuar com a polícia na frente e internar os dependentes de drogas tem um erro conceitual que aponta para um modelo falido.

É necessária uma abordagem mais complexa que consiga entender as reais necessidades e oferecer oportunidades aos usuários e dependentes de drogas. Esse tipo de experiência radical não funcionou em nenhum lugar do mundo.

Há um mito de que aos dependentes de drogas não há nada que se possa oferecer. Na verdade o que traz bons resultados para a vida dos usuários é a retomada de vínculos, da confiança em outras pessoas.

Quando alguém está na rua é porque já rompeu com vários vínculos. É o resultado de um processo longo de desconstrução de laços. Raramente a pessoa tinha uma vida estável e organizada e, de uma hora para outra, escolheu viver nas cracolândias. Portanto, o trabalho de se aproximar e criar vínculos será também longo e complexo.

A experiência e os estudos teóricos demonstram que a internação obrigatória não é eficiente para reverter processos de dependência. Ela não cria condições de se pensar em conjunto projetos para quem vive na exclusão, entre eles a decisão de qual forma quer ser tratado. O confinamento não faz parte do repertório dessas pessoas e elas não o entenderão como oferta e muito menos como benefício.

A atenção aos usuários de qualquer droga, inclusive do crack, que estejam nas ruas, exige que as equipes de saúde e sociais conheçam essa realidade e reconheçam os momentos nos quais o usuário não está sob efeito da substância para poder se aproximar de cada um deles. E isto exige constância e dedicação.

Não será uma ação súbita e de repressão que resolverá o problema. Cada intervenção policial como a realizada no Rio e em São Paulo desmonta longos trabalhos de aproximação e cuidado que são realizados por ONGs, consultórios de rua, profissionais de universidades, equipes de redução de danos e agentes sociais e de saúde.

A intervenção deve ter como objetivo oferecer oportunidades, atendimento de saúde e assim trazer aos poucos as pessoas de volta a uma vida saudável e, muitas vezes, novamente produtiva.

Nossa sociedade precisa ter um olhar menos cruel e exigir das políticas públicas que as intervenções com esses seres humanos que estão em sofrimento sejam mais eficientes e mais generosas.

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