Informações sobre Drogas

Tratamento

Várias histórias e várias metas
Cada pessoa que busca tratamento para o uso problemático de drogas tem uma história e um objetivo ao procurar um serviço de atenção a usuários. A primeira lição que temos de aprender é que existem tantos usos (no plural) de drogas quanto existem pessoas (no plural) que as usam ou são dependentes delas. (ver dependência) A oferta de formas e métodos de tratamento deve ser muito abrangente, flexível e adaptada às necessidades reais de quem procura ajuda.
O que motiva alguém a buscar tratamento pode ser pressão da família, dos pais, dos amigos ou de colegas ou ainda decisão própria quando a vida se descontrola e a pessoa percebe que não tem mais como organizar-se sozinha. Não existe um mesmo motivo para que alguém decida buscar ajuda, assim como não deve haver uma só meta de tratamento. Há aqueles que querem parar de usar, os que querem ter algum controle sobre seu uso, outros que querem somente ter um profissional ou alguém que conheça suas dificuldades para ajudá-lo a decidir sobre o que realmente deseja.
Os caminhos são muito diferentes e, portanto, as portas têm de ser muito diferentes e variadas. É necessário que as políticas públicas e a sociedade ofereçam uma gama muito grande de serviços e em muitas áreas. Alguns usuários buscam serviços espontaneamente, mas é uma minoria. Outros têm seu primeiro contato com algum serviço quando buscam documentos, pronto socorro, dentista e outras áreas de saúde, bolsa família, auxílios sociais ou mesmo ao serem levados a uma delegacia. Estes diferentes espaços têm de ser entendidos e aproveitados como portas de entrada e ofertar informações para aqueles que ali chegam.

Várias drogas e vários problemas
Qualquer pessoa desde o primeiro contato com uma droga, qualquer que ela seja, pode ter problemas ou consequências prejudiciais como acidentes ou overdose. Mas a maioria que usa drogas o faz dentro de um consumo controlado, como somente beber em reuniões sociais ou até decide deixar de usar drogas totalmente. Uma pequena porcentagem de pessoas, no entanto, passará a apresentar problemas com o uso continuado de drogas e algumas chegarão á dependência.
Há drogas que permitem um longo período de uso controlado. Outras, dependendo de quem as consome, são mais difíceis de manter uma vida organizada se usadas de forma constante. Alguns usuários de drogas com dificuldades de vínculos ou de adaptação à vida familiar, profissional ou social abandonam seus laços e se isolam. Outras vezes a própria família não mais os aceita em casa.

Para problemas complexos, respostas complexas
Para que resultados sejam alcançados pelas abordagens oferecidas, há necessidade de que a rede de atendimento seja abrangente. Embora este seja um problema prioritariamente da área da saúde, todos os outros aparatos públicos e da comunidade (igrejas, ONGs, grupos sociais, instituições educacionais e de trabalho) têm de funcionar como parceiros. (ver redes sociais)
A atenção básica, por meio dos agentes comunitários de saúde e das UBS - unidades básicas de saúde - formam a primeira frente de serviços de saúde, complementada pelos serviços sociais realizados pelos centros de referência e atendimento social. (ver Onde encontrar ajuda)
O atendimento especializado é feito pelo CAPSad - Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e outras Drogas - um ambulatório no qual não há internação. O CAPSad é um serviço de saúde aberto e comunitário do SUS, para referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos do abuso e dependência de álcool e outras drogas.
Existem serviços de atendimento a usuários e dependentes prestados por universidades, por instituições privadas e especialistas que atendem por meio dos planos de saúde ou em consultórios particulares, com metodologias variadas.
As abordagens oferecidas dentro dessa rede incluem a terapia comunitária, os consultórios de rua, e redutores de danos que vão em busca das pessoas de maior risco para o abuso de drogas e daqueles que já estão dependentes. A característica mais importante desses sistemas é oferecer cuidados no próprio espaço frequentado pelo usuário, inclusive a rua, e ter como princípios norteadores o respeito às diferenças, a promoção de direitos humanos e da inclusão social, o enfrentamento do estigma, as ações de redução de danos e a intersetorialidade.
A internação é um recurso a ser evitado, salvo em situações especiais, e deve decidida em conjunto pelo paciente e sua equipe médica e, se necessário, com seus familiares. A internação, normalmente, deverá ser breve, para desintoxicação e cuidados de saúde em enfermaria de hospital geral. As internações longas não são aconselháveis, mas quando médico e paciente as consideram necessárias são mais indicadas as clínicas de portas abertas e com suporte psicológico, médico e de reinserção social.

Qual decisão é a melhor?
A melhor decisão é de quem mais sabe sobre seu uso de drogas: a própria pessoa, e deve ser valorizado esse saber.
Tanto equipes de saúde como familiares ou pessoas próximas podem contribuir para a percepção do usuário ou dependente dos riscos e problemas que seu consumo está provocando. A reflexão conjunta pode auxiliá-lo a ver razões para a mudança de comportamento, a escolher e buscar caminhos e a dar os primeiros passos para efetivá-la.
A motivação para a mudança tem, geralmente, como primeiro e enorme passo olhar os danos para sua vida. Se são danos graves o processo é muito doloroso. Será necessário um tempo para estar pronto e aceitar olhar para sua vida e para a necessidade de algumas mudanças.
A abordagem tem de ser de forma gradual e individual, para que seja possível observar sinais que indicam se uma pessoa está ou não pronta para mudar.
Este processo deve focar principalmente o que é o mais necessário, que é a manutenção da vida, pensar o que é manejável e possível em seu contexto e dentro de suas possibilidades para que as mudanças sejam toleráveis em relação à sua capacidade de adiar e de sentir desconforto e falta da droga.
Muitas são as abordagens psicoterápicas, grupos de autoajuda, tratamento médico e farmacológico que podem apoiar e sustentar a mudança, mas o tratamento será eficaz se olhar o encontro da droga e da pessoa. Isso pode ser mais efetivo se contar com a rede de apoio e de seus familiares, assim como propostas de projetos de vida e reinserção profissional e social.

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